Proposta da ANTT para concessão de rodovias desagrada lideranças no Oeste
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A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apresentou em audiência pública uma proposta de concessão de trechos das BRs 153, 282 e 480 em Santa Catarina. O evento na manhã de terça-feira, dia 9, realizado em Chapecó, reuniu uma série de lideranças políticas, empresariais e representantes do setor de transportes.
Apesar do apoio à concessão e até à cobrança de pedágio, o principal debate girou em torno da quantidade de obras previstas para a BR-282. O projeto da ANTT prevê apenas 29,36 quilômetros de duplicação, além de 31,51 quilômetros de faixas adicionais, 24,21 quilômetros de vias marginais e 29 dispositivos e interseções novos ou remodelados.
Atualmente, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) avança na elaboração de projetos básicos e executivos de engenharia para a duplicação de diferentes trechos da BR-282 em Santa Catarina. O apelo das lideranças empresariais e do setor produtivo é que toda a rodovia seja duplicada, do Extremo-Oeste ao Litoral.
“Quando apresentaram esse projeto para toda a sociedade do Oeste de Santa Catarina, nós entendemos que isso está totalmente descabível com aquilo que estamos pleiteando”, avaliou o vice-presidente regional da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), Vilson Piccoli.
Ele lembrou que as entidades empresariais acompanham há pelo menos três anos os projetos de duplicação da BR-282 desenvolvidos pelo Dnit, que preveem mais de 500 quilômetros de obras. “Esse projeto pela ANTT não corresponde à nossa demanda e, portanto, ninguém aceitou nós darmos uma concessão de 30 anos para uma empresa para termos apenas 29 quilômetros depois de sete anos dessa implantação”, disse.
O vice-presidente da Facisc também considerou que falta alinhamento entre a agência e o Dnit. “Ficou evidente que faltou uma conversa entre a ANTT e o Dnit para eles verificarem o que nós estamos pleiteando. Desperdício de tempo e dinheiro”, avaliou, acrescentando esperar uma nova proposta da ANTT até o final do ano.
“Como é uma primeira proposta, aquilo que a gente coletar aqui de obras que estão sendo apontadas como necessárias, tanto mais duplicações quanto faixas adicionais e dispositivos de entroncamento, a gente pode incorporar posteriormente”, disse Marcelo Fonseca, responsável por presidir a audiência pública em Chapecó. Segundo ele, a ANTT pretende fechar todas as etapas do processo até o final de 2027.
Para debater o assunto, além de Chapecó, a agência já realizou audiência pública em Rio do Sul e fará os mesmos eventos em Blumenau e Itajaí, encerrando o ciclo na próxima terça-feira, dia 16, com uma sessão híbrida (presencial e virtual) na sede da agência, em Brasília.
“Eu vou mobilizar toda a nossa bancada para que esteja presente, porque as coisas acontecem assim, só acontecem quando tem uma mobilização, quando há uma pressão”, disse o deputado federal Valdir Cobalchini (MDB), que também participou da audiência pública em Chapecó.